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O Passado e o Presente da Missão do Dondi, Adelaide Esperança Catanha

Adelaide Catanha é uma das primeiras reverendas ordenadas em Angola. Doutoranda nos Estados Unidos da América, esta filha do Bié guiou-nos, ao longo da expedição à Missão do Dondi, pela história do protestantismo, a partir do antigo lar de estudantes do Huambo, o Lar Académico. Neste espaço residiram muitos estudantes oriundos das missões protestantes do centro-sul de Angola, alguns com bolsas de estudo, outros não residentes, mas com a missão de frequentar o ciclo liceal.

Revive a sua infância entre as missões do Lutâmo e do Dondi, para onde regressou mais tarde como docente do Seminário Emanuel, instituição da qual foi reitora. Esta biena é uma memória viva dos períodos da luta de libertação nacional, do conflito armado e da Paz.

A particularidade de ter vivido toda a sua vida na província do Huambo torna-a uma referência para a base de dados História Social de Angola, em especial no esforço de historiografar lugares e sítios de memória ligados às Free Towns angolanas, onde o protestantismo promoveu o desenvolvimento social como forma de contrariar a continuidade do trabalho forçado e outros métodos coloniais de povoamento e assimilação no antigo Império Colonial Português.

Embora aponte diferenças, como a existência de escolas destinadas aos filhos dos missionários, descreve as várias dimensões deste modelo de desenvolvimento comunitário, cujo maior objectivo era garantir o acesso ao ensino universitário. Reconhece ainda o empenho do Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço na edificação da Universidade do Dondi e na classificação da Missão do Dondi como Património Material Histórico-Cultural Nacional, em Abril de 2022.

INTRODUÇÃO

Adelaide Esperança Joaquim foi o nome que os meus pais me haviam dado, mas com o medo do registo, apenas disse que me chamava Adelaide. Quando venho para o Dondi a fazer o 1º ciclo o registo constou só o nome Adelaide e o diploma da 4ª Classe tinha o nome de Adelaide Esperança Joaquim.

Então, a direcção da escola disse: você vai para o Huambo, para a repartição escolar para fazer os exames da Pré até a 4ª Classe para você poder ter o nome Esperança Adelaide Joaquim.

Encontrei pessoas de boa e disseram: não, não vais fazer exames. o que pode ser feito é que tiremos o nome Esperança Joaquim e fique só com o nome que consta no registo. Então, fica o nome de Adelaide. E graças ao namoro com o pastor Catanha, adaptou o nome de Adelaide Catanha, sou a Adelaide Catanha.

ENSINO PRIMÁRIO, MISSÃO DO DONDI

Eu sou natural da Província do Bié, concretamente nasci no município do Cuíma, numa das aldeias chamada Sacam Gimba. mas por causa da procura de meios de vida o meu pai saiu da aldeia para a província do Huambo onde trabalhou como ferroviário.

Então, mudamos e viemos para o Huambo quando eu tinha três anos de idade. foi onde fiz o meu ensino primário e depois vim para o Dondi onde fiz o secundário e depois fui fazer o 5º Ano, a Secção de Letras, naquele tempo era só Letras, enquanto estava a estudar.

Depois da ordenação em 1978, os dois fomos trabalhar no Lobito. E do Lobito aproveitei fazer outra vez a 7ª e a 8º Classe no Saidy Mingas e depois viemos transferidos para dar aulas aqui no Seminário.

Então, fui dar aulas e fazer o INE em Bomboco, no Huambo e a seguir fiz o ISCED. Terminado o ISCED pensei “vou ficar parada, não, vou continuar’’, fiz o mestrado online em Espanha e teria de acabar.

Então, houve uma outra linha com Miami, EUA e fui fazer o Doutoramento em 2013.

E também depois de ser ordenada pensei “será que dar aulas no estado é pecado?”, eu pensei que fosse pecado, mas em 2003 entrei na função pública, dei aulas no Joaquim Kapango e fui reformada em 2020. Sou mãe de quatro filhos, o meu esposo é o Pastor Fernando Catanha. já temos os nossos netos.

SEMINÁRIO EMANUEL, DONDI

Trabalhei no seminário Emanuel do Dondi como professora, a princípio no Huambo desde 1986, como professora e administradora, depois, transferidos para cá, ainda dei aulas até 2009 e em 2015 o Corpo da Instituição me elege a Reitora de 2015 a 2022.

Em relação ao trabalho pelo qual me impus e que a Igreja queria de mim, trabalhamos nas províncias de Benguela por oito anos. Trabalhando em vários pastores, mesmo aqui no Dondi tenho experiência tanto na área rural como em uma área urbana e agora estou trabalhando em duas comunidades no Huambo, em um pastorado novo chamado Ever.

Portanto, sinto-me alegre, feliz e acho que vendo um poucos Pirâmide de Maslow, fiquei realizada, completei a minha carreira, embora esteja a trabalhar, estou trabalhando para dar um pequeno contributo, mas já estou no fim da minha carreira, mas trabalhando tanto no pastorado, tanto no Seminário Emanuel onde passamos o conhecimento a nova geração.

HABITAÇÃO NO DONDI

Recuperamos a casa de John Tucker no Lutamo onde vivemos há quase nove anos e também foi no nosso tempo que conseguimos trabalhar para recuperar a Igreja do Lutamo. Trabalhamos no sentido de construir a nova Igreja. foi uma experiência na área rural e agradeço bastante a deus de dar os filhos que tenho e ter dado esse contributo durante os meus setenta e um anos de idade.

E o lugar é mesmo marcante para nós porque depois da formação voltamos como docentes. quer dizer nunca havíamos sonhado ser docentes dessa instituição quando estudamos aqui com os missionários.

O que Deus fez por nós! Não quer dizer, no meu caso ter sido uma pessoa capaz, isso surgiu. Viemos aqui, fomos eleitos, não tínhamos capacidade para tal, mas viemos trabalhar. Tenho quase quarenta anos de docência neste seminário, de 1986 a 2025.

O Reverendo Emílio de Carvalho também foi nosso Reitor e foi bom porque nas horas livres podíamos jogar basquetebol com ele, isso marcou-nos bastante. e com a Dona Marilina saímos com ela para vila, para fazermos compras e hoje tornou-se nossa amiga.

O Bispo Emílio e esta americana marcaram-nos bastante as nossas vidas. Além de ser nosso Reitor, na verdade ele contribuiu bastante na formação.

Por exemplo, deu uma bolsa ao meu filho para ele estudar no Zimbabwe. e muitas vezes penso “quem somos nós para merecermos isso tudo”, na Graça de Deus somos o que somos e damos graças. Amém.

Quando o Bispo dava aulas na vila, em Bela Vista, também foi marcante ver a aceitação deles. ele estudou em Portugal e depois veio para aqui dar aulas.

11 DE NOVEMBRO DE 1975

Nós fomos ao Huambo, disseram-nos que hoje é o dia 11 de Novembro, vamos içar a bandeira e seremos independentes. Acho que a UNITA é que estava aqui no Huambo e alguns do MPLA.

Estivemos no aeroporto Albano Machado e houve cânticos, os religiosos cantaram e os sobas também foram cantando. e assim houve a proclamação. fez-nos espécie porque a proclamação da independência quase foi em três fases, foi em Luanda, aqui no Huambo e no Uíge. e depois deu o que deu porque afinal devia ser uma única voz naquele dia, mas houve três partidos políticos a proclamar a independência. Na altura, acho que não o tínhamos percebido devidamente porque isto aconteceu.

FACTOS MARCANTES

MISSÃO DO LUTAMO E DO DONDI

Eu comecei a estudar o ensino primário no Centro Evangélico da Bomba Alta, no Huambo onde fiz da pré a 4º classe. depois de ter feito a 4ª Classe a nossa Missão era o Dondi, no Lutamo e fui encaminhada para o Dondi onde fiz o Curso Geral em 1969.

Aprovei, tive uma melhor nota e fui encaminhada para a escola técnica, o Instituto Currie, no Dondi. eu digo que foi um meu auge, digo auge porque eu também só ouvia falar na Missão Evangélica do Dondi, mas depois de ter iniciado na Missão do Lutamo e vir para a escola técnica foi um passo importante porque tivemos uma amplitude pelas pessoas de vários centros evangélicos vindos para cá.

E também naquele tempo nós tivemos outros colegas que vinham do norte para estudarem aqui, isto no 1º ano da Escola técnica e também vemos os nossos colegas da Escola Profissional, da escola MEANS e daqui do Instituto a estudarem aqui no instituto Curie do Dondi. Foi um tempo bom porque ao lidarmos com vários colegas e com os diversos professores, também vindos de várias Missões, do bailundo, do Elende, Bunjei a serem nossos professores.

O que também me marcou foi pertencer ao grupo coral. Fui selecionada para cantar onde tínhamos de ter ensaios aos sábados e os encontros eram com rapazes do instituto e da Escola MEANS.

Mas, como naquele tempo havia carolice muitos menos tínhamos a ideia que tivéssemos um pretendente como colega do instituto, entre os catorze e os quinze anos, então foi um marco muito importante da minha vida. Outro marco importante foi fazer parte de ser basquetebolista. fomos jogando com alguns da vila, Catchiungo naquele tempo era Belavista. achoo ser um marco muito importante porque tivemos de ter conhecimentos amplos.

O ensino dado aqui na Missão do Dondi foi um ensino polivalente, pois que nós não sabíamos. Não era só o ensino como instrução, mas também primava-se pela educação. No primeiro passo, a educação era primária. E também tínhamos de trabalhar em artes e oficiais, saber bordar, saber cozinhar, saber coser e também praticar a agricultura. Quer dizer, quando saíssemos daqui para gozo de férias para as nossas áreas junto dos nossos pais, já a igreja descobria em nós alguma mudança, a nossa paz. essa mudança que diziam logo “não veio mesmo da Missão Do Dondi”, portanto, esta Missão do Dondi marcou-me consideravelmente, pois que não foi fácil.

Pois, até ao momento presente, eu fiz quase um círculo vicioso porque saí da Missão e vim para a escola da Bomba, vim para aqui o Lutamo para fazer o Curso Geral, fiz o ensino secundário na Escola Técnica, dois anos e a viver na Escola MEANS e assim que regresso para o meu centro, para a minha igreja me selecciona para ser seminarista. Saio outra vez do Huambo para vir para aqui. Isto é em 1968, regresso em 1972, quando iniciei o Curso Teológico, terminado em 1975.

E depois de ter trabalhado dois anos na Escola MEANS e no Huambo, a Igreja achou por bem que não podia ficar só com três anos de formação teológica tinha de ficar mais um ano.

Então, mudamos para o Huambo, devido a situação de guerra o seminário mudou-se para o Huambo e assim fui estudante de teologia em 1977/78 e assim fomos ordenado os dois no dia 19 de Fevereiro de 1979 no Huambo. Por isso, agradeço no primeiro passo a Igreja por me ter considerado fazer parte e de ser estudante aqui. E agradecer aos docentes que passaram por nós, agradecer também aos meus pais que também contribuíram positivamente para que não ficasse só a estudar no Huambo mas que fizesse parte de uma Escola que é a Missão Evangélica do Dondi que muito nos moldou e é graças a essa Missão que hoje sou o que sou.

É o que tinha para dizer em relação aos meus pontos altos.

Congresso da Juventude da Igreja Metodista e da IECA

Aqui, no Dôndi passaram-se muitos eventos, mas muitos eventos mesmo, tais como casamentos de professores com professoras. Um dos eventos , na altura éramos pequeninos, foi o Congresso  da Juventude da Igreja  Metodista com os jovens da IECA, isto passou-se aqui no Dôndi. Temos uma colina que até é conhecida como a Montanha de Catchiungo onde houve um grande encontro entre  os jovens das duas igrejas.

A Escola dos Filhos dos Missionários

Outro que eu posso dizer é que aqui havia várias instituições, mas uma das que mais me marcou: enquanto nós  tínhamos uma escola primária para nós angolanos, tinham uma outra escola primária para os filhos   dos missionários. os filhos das missionárias das outras missões, fora do Dôndi, com a idade escolar vinham aqui para o Dôndi. Como aquela escola tinha de ensinar em Língua Inglesa e a nós ensinavam na Llíngua Portuguesa. Então os filhos dos missionários tiveram uma escola à parte.

Um pouco mais para cá, cheguei a ver governantes portugueses quando visitavam a Missão, era um serviço que a todos eles admirava.

A outra coisa que me marcou é que nós preparados aqui no Dôndi fazíamos exames oficiais no Huambo, na cidade de Nova Lisboa, e os os alunos  que saiam daqui tínhamos sempre as melhores notas do que os alunos que estavam na cidade do Huambo. Fizemos exames, várias vezes e as nossas notas eram acima das dos outros. E o juri ficava admirado: “Como é que esses negros tiram boas notas nos exames e  os nosso não?”. Eles procuravam saber: Qual é o segredo? O segredo era  que os  professores que nos ensinaram, eram  “ de marca.”

O SONHO, A UNIVERSIDADE DONDI, 2022

E o mais relevante é que eu sabia a história que os velhos transportavam de que os missionários queriam uma universidade aqui no Dondi, os missionários queriam uma universidade, mas o colono é que não deixou.

Agora, quando chega 2022, quando começaram a construir a universidade eu fiquei maluco, “mas é verdade, uma universidade, nós procuramos uma universidade longe, agora vai se construir uma universidade aqui no Dondi?”. Assistimos a tudo, desde o início das obras até terminar. Isso marcou-me muito.

No dia do lançamento da pedra da UNIDONDI também foi o dia do lançamento da elevação da Missão do Dondi a Património Nacional. Foi uma grande marca. Houve muita gente que participou. Portanto, são grandes eventos que se passaram.

Uma outra coisa, foi durante a guerra civil tivemos um momento em que todas as actividades dessa Missão tiverem de parar. Foi no dia 8 de Fevereiro de 1976, então tudo parou. A Missão ficou fechada e passado algum tempo a tropa veio ocupar. Ali onde estivemos há sinais nas paredes. A Missão foi ocupada pelas FAA. Então, o trabalho da igreja não podia ser realizado ali, isto ficou no seu silêncio. Mas, a igreja como tal, em toda a parte trabalhou, houve cultos, menos aqui na Missão. Por isso, isso me marcou bastante porque são coisas que eu não esperava. Esse seminário em 1977 mudou-se para a cidade do Huambo e lá ficou trinta anos, depois é que voltou em 2007, trinta anos!

Tudo isso são marcas que ficam na nossa história, nas nossas vidas como filho dessa Missão. Eu disse que já naquela altura e ainda hoje é uma felicidade muito grande: eu falo e conheço o Dondi desde os meus dez anos de idade, só sai para os estudos lá fora e para a vida militar. Hoje eu considero esse dia, como é o dia do meu aniversário, são oitenta anos que eu completo, mais nove meses e vinte e sete dias (referindo-se à gestação).

DIVIDENDOS DA PAZ, MEMORANDO DO LUENA

Outra coisa que nos marca não só como líderes também é o que aconteceu, a guerra civil passou, passamos por muitos encontros que os líderes tiveram, mas, quando os próprios filhos angolanos pensaram numa assinatura que se chama Memorando de Luena, que marcou a pacificação entre irmãos, entre filhos angolanos e a começarmos um novo passo de vida para o desenvolvimento do nosso país, eu também acho que foi algo que me marcou na verdade.

Hoje encontramos os nossos filhos e filhas e nos próprios, no tempo colonial não tivemos universidades, a única universidade era em Portugal, nem todos tiveram condições de irem a Portugal estudar, mas hoje temos universidades, temos cursos diversos e isto nesta idade também em que nós estamos decaindo, nos mostra a consciência do angolano.

Em princípio, na verdade estávamos dependentes, ​​tivemos uma dependência do colono apesar de nos ter deixado rastros positivos também, não vamos criticar tudo, mas nós irmãos somos o que somos.

As igrejas estão crescendo espiritualmente, também o nosso país está cada vez mais crescido. Os angolanos estão construindo os seus lares, ampliando. Na verdade, as grandes cidades Lubango, Bié, Huambo e outras tantas, tudo passa por uma conscientização do próprio angolano.

Por isso, o que nós queremos, no meu caso, é que haja em todos os angolanos o espírito do perdão, da reconciliação e que não haja ódio porque o ódio não contribui para o desenvolvimento, mas para o subdesenvolvimento outra vez.

 E hoje estamos encontrando as migrações. Muitos angolanos estão indo para Portugal, outros para a França e outros países e isso não é bom, se alguns vão para fora para estudar devem regressar ao seu país para o desenvolverem. e esta deve ser uma grande aposta e uma grande consciência e cada angolano deve ser em prol do desenvolvimento deste país que é Angola.

Há vários passos que nos marcaram mesmo a partir dessa instituição que é o seminário esperando que haja evolução, referimos a esta evolução que o Pastor Catanha acabou de dizer, de termos uma universidade.

Esperamos que haja mesmo a própria abertura onde os das áreas rurais, daqui das aldeias consigam também estudar. Porque há uns que só fizeram o ensino médio ou de base, mas que teriam vontade de fazer o curso superior mas não tem como ir para Luanda, Huambo, Bié, mas se os que estão aqui nos arredores e aqueles que vêm de fora possam trabalhar juntos, pode ser que haverá melhor crescimento para a mente dos angolanos. São os pontos altos que nós temos em relação a essa Missão e graças a Missão. E valeu a pena o nosso Presidente João Manuel Lourenço pensar em construir essa universidade.

Para acrescer, a mente do jovem angolano está deturpada nos últimos dias, eu não sei ao que se deve, não é bem ao ódio mas é já falta ocupação, julgou ser a falta de ocupação. então, o que se devia ter feito, nós como adultos era a forma de podermos ocupa-los para haver um encaixe, os valores deles morais com estão desaparecendo é preciso que os mais velhos possam trabalhar para que haja a mudança de mentalidade, para que haja uma boa mentalidade. Quando surge um concurso público, a mente fica ocupada, deixa de estar faz, quer dizer vão trabalhando para tirando cursos de informática, os que não conseguirem podem estudar mecânica, agronomia, quer dizer fazer a agricultura de subsistência também é uma ocupação.

Se os nossos sobas nas aldeias, os nossos administradores, todos contribuíssem para fazer um censo sobre a juventude, poderiam descobrir quais são os confucionistas e quais sãos que estão aderir para o desenvolvimento do país, então, nós os mais velhos que vimos o passado e o presente e também almejamos o futuro, dizia o Reverendo Belo Chipenda “o futuro está no ventre do presente”. Enquanto presentes devemos trabalhar para a educação dessa nova geração, não podemos apenas criticar enquanto não trabalharmos para a moldagem deste jovem. Hoje, custa-nos muito quando vemos a linha do caminho de ferro, esse jovem contribuiu para a destruição de bens públicos como o Pastor acaba de dizer, das escolas, da energia porque o roubo de fios elétricos. Tudo isso, são mentes vazias que estão a fazer com que tudo isto esteja a acontecer, por isso mesmo a minha opinião é que a igreja trabalha na moldagem, os mais velhos nas embalas também trabalham.

No passado, na verdade havia uma outra educação em que as mães ocupavam-se pela educação das meninas os pais ocupavam-se da educação dos rapazes. Então, esses encontros no final das tardes umas conversas, também contribuiu bastante para moldagem dos jovens. mas hoje, quase que não há tempo para se conversar com a nova sociedade, por isso vale a pena que nós aconselhamos os jovens para que possam manter uma boa educação e essa educação é que vai fazer com que a pacificação … Mas, o mais importante é ocuparmos os jovens para eles serem conhecidos (referindo-se aos responsáveis por desmandos). Em Luanda uma cidade com muita população é difícil, mas em cidades com pouca população é fácil porque temos mais comunicação “tens filhos em tua casa que fazem distúrbios”, para que se conhecem e para ver se tenhamos um país com uma boa edificação, um país em paz para que cada qual possa trabalhar.

Conselhos às Novas Gerações

Para acrescer, nos últimos dias parece-nos que a mente do jovem angolano está deturpada.   Eu não sei  ao que isso se deve. Não é bem o ódio mas julgo ser a falta de ocupação. Então, o que se devia ter feito, nós como adultos era a forma de podermos ocupá-los para haver um melhor enquadramento deles aos valores morais que estão desaparecendo.

É urgente que os mais velhos possam trabalhar para que haja uma boa mudança de mentalidade.  Quando surge um concurso público, a mente deles fica ocupada trabalhando só para  tirar cursos de informática.  Não conseguem pensar em estudar mecânica, agronomia, etc. E até podemos dizer que fazer a agricultura de subsistência também é uma boa ocupação.

Se os nossos Sobas  nas aldeias, os nossos, administradores, e demais líderes, todos contribuíssem para  fazer um censo sobre a juventude, poderíamos descobrir quais são os confusionistas  e quais sãos que estão interessados a aderir ao desenvolvimento do País. Então, nós os mais velhos vimos o passado  e o presente e também almejamos um futuro melhor. Bem dizia o Reverendo Belo Chipenda: “ o Futuro está no ventre do presente”

Enquanto no presente, devemos trabalhar para a educação dessa nova geração. Não podemos apenas criticar se, entretanto não trabalharmos para a moldagem destes jovens.  Hoje, custa-nos muito ver o estado  da linha do caminho de ferro. Como estes jovens contribuíram para a destruição dos  bens públicos, o Pastor acaba de dizer: “As escolas, a energia, o roubo de fios eléctricos… Tudo isso, são mentes vazias  que estão a fazer com que isto esteja a acontecer.” Por isso mesmo a minha opinião é que a Igreja trabalhe na moldagem dessas mentes e os mais velhos nas Ombalas também ajudem, nesse trabalho.

No passado, na verdade havia uma outra educação em que as mães ocupavam-se na educação das meninas e os pais ocupavam-se na educação dos rapazes. Então,  esses encontros no final das tardes as conversas, também contribuíram bastante para a moldagem dos jovens. hoje, quase que não há tempo para se conversar com a nova geração. Por isso vale a pena que nós aconselhemos os jovens para  que possam manter uma boa educação e essa educação é que vai fazer com que a Pacificação Nacional seja realmente conseguida …

Mas, o mais importante é ocuparmos os jovens para que sejam conhecidos os  responsáveis por desmandos. Em Luanda, uma cidade com muita população deve ser mais difícil, mas nas cidades com pouca população é fácil, porque temos mais comunicação “se tens filhos em tua casa que fazem distúrbios” toda a gente sabe. Digo isso para ver se  temos um País com uma boa  edificação, um país em paz no qual cada uml possa  trabalhar em segurança. Porque por exemplo, no início quando falamos de imigrantes, as pessoas migram porquê?  Quais são as condições que estão esperando, quais as condições que o nosso  País Angola, este  País com tanta área despovoada?

Então, não há razões para que haja outra emigração.  Já vivemos situações difíceis no tempo da guerra. Agora, em tempo de paz, podemos aconselhar a juventude para que possa manter-se  no País, para que possa manter a Igreja, para que possa manter as infra estruturas do nosso País estáveis, para que não haja a estagnação. E se isso acontece temos outros desvios dos meios financeiros, coisa que já tinha sido ultrapassada. Terá de ser reposto o equilíbrio, sem o que perder-se-ia outra vez aquilo que já se havia ganho.

Estes são os conselhos que damos. Ninguém deve dizer vou educar o meu filho, a minha filha, o meu sobrinho, mas sim eduquemos a todos, repito muitas vezes,para que então tenhamos uma sociedade com  bons modelos.

Este depoimento foi realizado na Missão do Dondi, em março de 2025.

Entrevista e Transcrição: Marinela Cerqueira

Revisão: Judite Luvumba

Palavras Chaves: Missão de Lutámo|Missão do Dondi|Seminário Emanuel|Jonnhy T Tucker|Bispo Emílio de Carvalho|Acordode Luena| Missionários|INE|ISCED|Presidente João Lourenço

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Catanha, F. (2018). Resumo da História da Missão Evangélica do Dôndi desde 1911 á 1975. Cachiungo: Sínodo Local do Dôndi.