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Memórias de um Militar e Estudante da Faculdade de Engenharia, José dos Prazeres Coimbra

José dos Prazeres Coimbra apostou na construção própria num dos maiores bairros de Luanda Sul, o Benfica. Esta base de dados interessa-se por integrar memórias de moradores dos novos centros urbanos de Luanda no pós-independência.

A sua participação foi conquistada por um vizinho, o jovem Huíla, integrante da visita de campo às Missões do Dondi e do Bailundo em Março de 2025, no âmbito do desafio de recolher memórias de mais vinte e dois angolanos para a publicação Angola: 50 anos, 50 Vozes. Esta participação demonstra a relevância do envolvimento da juventude na sensibilização de novos depoentes.


Jovem dos anos 70, viveu várias fases do pós-independência. Órfão, militar, estudante e, mais tarde, engenheiro, construiu a sua própria moradia e representa o fervor e a determinação de grande parte da juventude da sua época.

INTRODUÇÃO

Eu sou o José dos Prazeres Coimbra, sou natural de Luanda, nasci em 1963. Na tenra idade, muito jovem, o meu pai foi trabalhar na actual província de Benguela, no município de Caimbambo, onde fui batizado e comecei a estudar a iniciação. Depois viemos para a capital do distrito em Benguela, aos sete anos de idade, onde continuei os meus estudos primários, a quarta classe já após o 25 de Abril de 1974.

Os meus pais já são falecidos e cresci aqui em Luanda, em ambiente onde criei novas amizades porque para sair de um ambiente do sul e vir para Luanda tive de criar novos ambientes. Por acaso, fomos para a um bom bairro, ao bairro Popular, onde tive muito apoio das pessoas que encontrei ali ficamos. Perdi o meu pai muito cedo, eu estava a fazer dezoito anos, depois ficamos só com a mãe.

25 DE ABRIL, 1974

Após o 25 de Abril, em 1974 há aquela situação do desentendimento entre os movimentos de libertação e da independência. Eu devia ter à volta de 11 anos e antes da independência há aqueles desentendimentos entre os movimentos de libertação. Há a invasão sul africana em Benguela, tivemos de fugir de Benguela porque os sul africanos invadiram e tomaram Benguela e tivemos de fugir para Novo redondo, hoje o Sumbe, foi onde passamos o 11 de Novembro como refugiados.

RETORNADOS

Nunca devíamos ter expulso os portugueses daquela forma. O primeiro erro foi termos tirado daqui os portugueses daqui com a roupa no corpo. Porque nós estamos aqui hoje, e soubemos que vivemos quase dez anos daquilo que os outros tinham trabalhado. E quando tivemos de começar a trabalhar e a fazer as coisas, fazer planos, constatamos que eles trabalhavam, vimos que eles estavam certo. Portugal na altura de Salazar impôs aos portugueses ficarem em Angola e trabalharem, foi quando ocorreu o boom colonial em Angola. No período colonial Angola tinha um PIB superior ao da África do Sul e atualmente há uma enorme disparidade nos PIBs destas duas potências da África Austral.

11 DE NOVEMBRO DE 1975

Passei o dia 11 de Novembro no Sumbe, onde estávamos refugiados. Depois do 11 de Novembro eles voltam a tomar o Sumbe viemos para o Porto Amboim, a cidade era muito pequena, era insuportável para a quantidade de refugiados, quase tivemos de viver na rua e o meu pai decidiu que tínhamos de vir para Luanda, a terra que me viu nascer mas que eu não conhecia, tinha onze anos.

Depois da independência a recuperação da cidade pelo Governo, mas voltamos a regressar, os pais ficaram defraudados porque tudo que tinham deixado, tinham trabalhado na vida, foi roubado, foi vandalizado. Eu era criança, mas a percepção que eu tenho é que foi devido aquela situação a minha mãe disse que já não queria mais viver em Benguela e então, voltamos para Luanda.

ENSINO SECUNDÁRIO

Concluí  os meus estudos secundários, a 8ª classe,  entrei para o Instituto  onde fiz o ensino médio e depois entrei para a Faculdade ainda no período do partido único em 1986.   E licenciei-me muito mais tarde em 1989, devido a esse período, porque nesse período havia a situação de  todo o jovem tinha de pertencer às FAPLA,  a vida acadêmica não podia ser muito rectilínea, tínhamos de parar e servir as forças armadas. Tive um tempo na polícia nacional toda essa situação fez com que eu não conseguisse ter continuidade nos estudos. Somente mais tarde, depois das desmobilizadas em 1993 foi quando eu  apeguei-me efectivamente ao estudos, continuei os meus estudos e em 98/99 acabei o curso de Engenharia.

Fui trabalhar  na área dos meus estudos para a electrotecnia e hoje já estou reformado, já com o sentimento da missão cumprida e também porque preciso tomar um pouco mais de mim .

A DINÂMICA DO PERCURSO ESTUDANTIL, 1975-2002

Primeiro, quando eu licenciei-me ainda havia algumas facilidades, no acesso ao estudo porque na altura nós tínhamos apenas o ensino estatal, não havia o ensino privado para reforçar o sistema de ensino. Havia uma seleção assente nos encaminhamentos e depois seguíamos para os institutos ou para os PUNIV`s.

E no meu caso, depois de fazer o ensino médio quando entrei para a faculdade eu pertencia aos órgãos da Polícia Nacional. Havia prioridades, os militares e os órgãos de defesa e segurança tinham sempre prioridade para entrar para a faculdade e a nível da polícia eu fui o único a entrar na faculdade naquele ano.

Mas, as missões que tínhamos, não havia muitas condições, por vezes estamos alocados numa província, depois em outra e acabamos por perder as provas e concluir o ano letivo. não era possível concluir no mesmo ano letivo, as missões eram constantes e havia missões a cumprir, a vida militar assim o dita, não era possível concluir o ano letivo no tempo previsto.

E depois outros fatores que também contribuíram porque eu depois durante o 2º ano da faculdade arranjei uma companheira, a vida se complicou e com a dificuldade de vida como militar ficou pior. Tive de parar para organizar a minha vida, para conseguir um tecto para viver, foram esses fatores que levaram a concluir a faculdade em 1998.

Em 1992, voltamos à guerra e depois com uma agravante quando estávamos na faculdade só tínhamos professores estrangeiros, cubanos e russos, e toda essa mão de obra foi embora. E depois do advento da paz a Faculdade da Engenharia ficou sem professores, paralisou dois anos letivos.

Em 1994, regressei à faculdade, mas já tinha feito o 3º ano em 1989. Fiquei naquela situação de falta de professores, havia um ou outro, também apareciam aventureiros.

O Decano João Teta conseguiu então dinamizar a Faculdade de Engenharia, ir buscar alguns professores, entre eles alguns portugueses, e a situação depois estabilizou, mais tarde foi Reitor.

PERSPECTIVAS DA PAZ EFECTIVA, 2002

Há a guerra entre os movimentos, a guerra entre irmãos durante dezasseis anos, depois aquela paz que penso não ser uma paz  efectiva porque as pessoas andavam a tremer pelas ruas, com medo, aquilo foi um tormento, é a mesma coisa quando se concilia com um irmão e depois o irmão vem com toda a força. Esse período de paz aquelas escaramuças de Luanda, também que resultou na outra guerra, foi uma primeira aproximação, para nos aproximar mais.

Quer dizer, eu não falo de 2002 porque para mim já era uma situação de exaustão, as pessoas já estavam cansadas. Primeiro, pelo menos as pessoas da minha idade, daquele período pelo que passamos de 1981 até 2002, o período em que começamos a ingressar nas F APLA, em que eu participei, foram trinta anos.

Era a exaustão total, já não se acreditava na paz. Penso que as pessoas da minha faixa etária não levam isso muito a peito.

A IMPORTÂNCIA DE CONHECER A FAMÍLIA

Nessa sociedade vivemos muito pouco o lado familiar, o lado pessoal. E por causa disso muitos erros foram cometidos, principalmente naquilo que é atenção aos filhos, embora com ajuda da companheira para termos os filhos o mais possível educados, até hoje por acaso até hoje não tenho muitas reclamações. Mas agora, chegou a hora de eu poder pensar mais em mim e ter mais amor pessoal. Durante todos essas fases da minha vida que são a colonial, na qual eu nasci, e ainda muito criança surge a independência nacional e após a independência nacional, eu só posso dizer que de facto eu tive uma infância que apenas trabalhava o meu pai, mas nós tínhamos (…) pelo menos como criança eu não sentia que os pais tinham um aperto muito grande, quer na própria educação dos filhos, quer na mobilidade que tinham, quer naquilo que era a atenção familiar… Porquê? Quero dizer que havia todo esse cenário no período colonial, mas eu lembro-me de ter conhecido todos os meus parentes, os meus parentes que viviam na província de Malanje e na província do Zaire. Eu tive essa oportunidade, quer por meio de fotografias porque não havia televisão, era por meio dos pais se deslocarem e nós também por vezes irmos passar umas férias onde interagimos entre família, podemos estar em um sítio distante, mas essa interação familiar e conhecimento sempre existiu pelo menos até à independência. Após a independência, hoje eu tenho filhos que nem sequer conhecem, até inclusive os filhos dos meus primos, familiares muito próximos que não se conseguem conhecer. Essa é a primeira grande diferença do período pós-independência, quer dizer, nós não nos conhecemos, os familiares de hoje em dia, então os nossos descendentes não se conhecem. Entre eles é uma situação que não sei se vamos ainda a tempo de reverter porque é nessas interações porque é nessas situações que as pessoas se reúnem, se vão se conhecendo, que a amizade se consolida e a companhia. E inclusive manter esses valores que os nossos pais nos educaram que cada um conseguia transmitir aos seus filhos. Quando eu cresci havia uma situação que eu gostava: embora eu estava numa cidade em que eu tomava leite, comia pão com marmelada, pão com manteiga, eu gostava de ir aos meios onde os meus familiares viviam, onde eu ia tomar café e comer bombó, gostava de lá estar. Apesar de serem em casa de pau a pique, gostava de estar naquele meio e então isso fazia que nós todos fossemos mais unidos, que nos conhecêssemos, quer dizer os nossos objetivos as nossas ideias eram mais.

O RESPEITO PELO PRÓXIMO

A outra era o respeito que existia, quer dizer o respeito era de tal forma alargado que  você não respeitava somente os seus pais, você respeitava o vizinho, a pessoa adulta que estivesse inserido no seio de onde você cresceu porque uma falha tua não era apenas repreendida pelos pais.  Era uma repreensão das pessoas mais próximas, dos vizinhos, era uma repreensão total, você tinha de andar com disciplina, respeitar todos porque a própria sociedade permitia porque as pessoas que viviam à volta faziam com que isso acontecesse. Hoje em dia, não,  você pode entrar em confronto com um vizinho por causa de uma situação de uma criança de três anos,  quando eu vejo essa situação, eu acho que  é algo que temos de resgatar, por aquilo oque eu disse o respeito pelos mais velhos e pelos progenitores. É por ali que começamos a medir as nossas sociedades .

A própria educação, hoje em dia parece ser proibido quando se repreender um aluno, por exemplo, um professor quando repreender um aluno parece que vai ter problemas.  naquele tempo não era assim, já sabias que o professor tinha ali a regra ou a palmatória  e você tinha de saber ler e escrever, a tabuada, saber não podiam falhar, senão ias levar, e estamos aqui com conhecimento. hoje em dia isso não acontece. Enfim, foi esta  a vivência, é a minha vida.

Actualmente, no meu ponto de vista,  talvez nós com alguma rigidez, não a da rigidez de   violência e nem   de outras coisas, mas alguma rigidez naquilo que é a atenção e  nós devemos entregar aos nosso jovens a atenção e várias oportunidades. Porque para se mudar as coisas, não é preciso andar aos pontapés ou às chicotadas,  talvez com várias oportunidades e com caminhos bem direcionados nós ainda podemos resgatar a nossa juventude.  Porque por mais que um jovem seja mais rebelde como aparenta, ele ainda chega a pensar, é capaz de pedir desculpa, saberem estar errados , ainda recuam e pedem desculpa “desculpa cota, papoídes”, eles ainda recuam e isso quer dizer que ainda não perdemos tudo, é possível ainda a  gente conseguir encaminhar a nossa juventude para os bons portos, com mais algumas oportunidades e um pouco de mais carinho.  É claro, não existe somente com carinho, mas também  com alguma rigidez  nisso para vermos  se conseguimos resgatar o que viemos perdendo aos poucos.

FACTOS MARCANTES

O primeiro facto marcante da minha vida  foi o acto de independência nacional,  isto não me sai da cabeça: o estado em que nós estávamos, a situação em que nos encontrávamos, de um aperto total, cingidos ao nosso próprio habitat. A situação em que nos encontrávamos aos doze anos foi a primeira situação que me marcou mais.

Depois,  em outra situação, a segunda  foi a de me sentir órfão, a partir do momento em que perdi o meu pai, ele era uma pessoa influente. Eu era o primeiro filho, não era propriamente ninguém e foi a fase que eu tive de me afirmar. A minha mãe sozinha, foi a época da afirmação, o que eu consegui, aqueles momentos que eu passei para me afirmar socialmente.

A terceira, é ver que todo esse esforço feito o resultado foi positivo, com muito sacrifício, foi a fase de afirmação, de trabalho, da  licenciatura, de afirmação  social, do sucesso. De tudo que eu fiz ainda acho ter sido a mais marcante.

 RECORDAÇÕES DESTE LUGAR E SÍTIO DE MEMÓRIA

A minha casa foi a minha amplitude, foi onde eu consegui chegar, foi o máximo que eu dei para estar  hoje onde estou, é o sentimento que eu tenho. foi a fase que eu me empenhei mais, e conseguia os recursos com alguma facilidade, não foi com a dureza que existe hoje.  Então, tudo que me caia,  tudo que eu conseguia eu empregava nessa casa.  Já estava acima dos cinquenta anos e foi onde eu dei o meu máximo, decidi empregar todos os meus ganhos neste edifício,  foi o meu máximo que eu dei pra mim e a minha família.

Eu por acaso  comecei a construir a minha primeira casa quando tinha trinta e dois anos.  Comprei o primeiro espaço no Bairro Popular, um espaço pequeno para construir dois  quartos, uma sala e uma cozinha.

Quando comecei a carreira de engenharia, tive uma evolução natural, comecei como chefe do sector, chefe de departamento e passei a Director e sempre que subisse de categoria pensava em ter condições melhores de habitabilidade. Foi por isso que   comprei este terreno, o meu primo o cantor Zé Mônica mostrou-me este terreno e depois aos poucos fui construindo essa habitação. Pensei que eu era o primeiro filho dos meus pais, ja nao tenho pai e nem mãe, tenho de fazer uma casa grande para albergar  a família,  agora, os filhos vão saindo e  começa a ser grande, mas ainda recebe a família toda de tempos a tempos, quando vem ficamos à vontade.

O BAIRRO BENFICA

Para eu estar aqui hoje na  zona do Benfica foi porque  eu vivia no Bairro popular na rua do Pisca e um amigo funcionário da ENSA comprou um terreno e construiu no Morro Bento. Mostrei-me interessado, ele mostrou-me o terreno  mas eu não tinha o dinheiro necessário.

Certo dia, deram a um colega engenheiro de projectos  a atribuição da electrificação do bairro militar e eu acompanhei o meu colega porque ele não conduzia. Vimos o bairro e depois de um tempo eu vinha sempre com ele.

Existia aqui o Lar Sol que acolhia crianças pobres e órfãs e foi onde encontrei o cantor Zé Mónica e ele  apresentou-me a ideia de obter um terreno, nesta zona da cidade está livre. Eu optei por esta zona porque havia as tendas de um lado, a praça, a casa do Fedy, a Zona do Branco, mas nesta não havia nada, era uma zona completamente desabitada, havia uma igreja, algumas residências isoladas e  o bairro das salinas já existia. Hoje, eu próprio admiro-me pelas edificações existentes agora. Quando vim morar aqui ainda trabalhava na EDEL e também ajudei a electrificar esta zona, não tínhamos luz, somente o recurso a geradores. Também não havia água e nem saneamento básico, agora temos água, embora não corra água há muito tempo. Actualmente, o Benfica está todo electrificado. O Bairro Mundial não existia, apenas  havia os quartéis do Chacal e da UGP. Inicialmente, ouvimos os tiros da carreira de tiros, pois era uma zona isolada, andava-se à vontade.

CONSELHOS ÀS NOVAS GERAÇÕES

O conselho que eu deixo às futuras gerações: em primeiro é sobre a nossa base de sustentação- não perdemos os nossos valores, aqueles nossos valores sociais, daquilo que é a nossa essência. Acima de tudo somos angolanos e nós temos de defender aquilo que é nosso. Segundo, dedicarmo-nos mais de uma forma e aberta, desinteressada, mas dedicada, mais profunda naquilo que é a nossa terra, esquecermo-nos dos outros, nós temos de nos defender a nós próprios. Eu penso que por ali será este o caminho, nada se perde, tudo se transforma, aquilo que tudo que parece que perdemos, temos de pensar: na nossa cultura, na nossa música, na nossa. Naquilo que é nosso, que é ser angolano, na nossa prioridade está ali o nosso caminho de sucesso, na nossa própria valorização.

A IMPORTÂNCIA DA MEMÓRIA ORAL EM ANGOLA

A memória oral em  Angola ocupa é a  principal porque são os nossos mais velhos que têm o conhecimento vasto sobre a história. Por vezes, converso com os mais velhos eles se  centram muito nas etnias “ a minha etnia era  tchokwe e naquele período a forma de estar era essa”. Agora, juntando isso tudo para fazermos um histórico mais generalizado, espero que historiadores mais recentes  recolham mais informações das pessoas idosas, por vezes nem são mais velhos mas tem informações, vocês prossigam, precisam ter oportunidade de ir mais a fundo.  Por exemplo, há tempos estive com alguém no Sumbe em que ele me falou de uma etnia chamada Chiacas e eles saíram de Luanda, eram povos guerreiros. Até fiquei com a história no ouvido, um desses dias teremos uma conversa séria sobre este povo de Luanda , que saiu de Luanda, teve muitas lutas e chegou até Benguela. 

IMPORTÂNCIA DA HISTÓRIA SOCIAL DE ANGOLA

Iniciativas desse género são boas e vamos fazer fé com que haja uma recepção boa desse trabalho que a História Social de Angola está a fazer. Com essas iniciativas pelo país para que cada um idealize algo,  para que a nossa sociedade siga outro rumo. 

Este depoimento foi realizado em Benfica, Luanda em Março 2025.

Entrevista e Transcrição: Marinela Cerqueira

Palavras ChaveS:Bairro do Benfica|Paz|Retornados|Faculdade de Engenharia