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Dos tempos da Casa dos Estudantes do Império (CEI) à Mobilização em Itália a favor da Luta do Povo Angolano  1967/1980 |Astrid Cecília de Carvalho

O presente testemunho, bem como a segunda parte das memórias de Artur da Costa publicadas neste volume, têm origem no projecto de investigação concebido pela historiadora Aida Freudenthal, destinado à recolha de testemunhos de antigos membros da Casa dos Estudantes do Império (CEI) dispersos por diferentes países. A interrupção desse projecto impediu a publicação de um conjunto de memórias de elevado valor histórico, permanecendo inéditos vários testemunhos fundamentais para a compreensão da experiência dos estudantes africanos durante os últimos anos do colonialismo português.

No âmbito do trabalho desenvolvido pela Plataforma História Social de Angola (HSA), Artur da Costa decidiu rever, ampliar e concluir o texto inicialmente preparado para esse projecto, colhendo a autorização dos seus familiares  para  esta  publicação. Simultaneamente, “autorizou” a integração do testemunho de Astrid Cecília de Carvalho, entendendo que ambos os textos se complementam e permitem uma leitura mais abrangente da experiência vivida pelos estudantes angolanos na Casa dos Estudantes do Império e, posteriormente, na diáspora europeia.

A publicação conjunta destes dois testemunhos representa igualmente uma homenagem à memória de Aida Freudenthal, cujo projecto de preservação das memórias dos antigos membros da Casa dos Estudantes do Império permanece uma referência para os estudos sobre a história contemporânea dos países africanos de língua portuguesa. Ao recuperar parte desse trabalho inacabado, a HSA procura igualmente contribuir para a preservação do seu legado científico.

As memórias de Astrid Cecília de Carvalho possuem, contudo, um significado que ultrapassa o universo da Casa dos Estudantes do Império. O seu testemunho ilumina uma dimensão ainda insuficientemente estudada da luta de libertação nacional: o papel desempenhado pelos estudantes angolanos e por outros jovens africanos que permaneceram na Europa depois da repressão colonial, muitos deles ligados à chamada Operação Angola e às sucessivas redes de apoio aos movimentos de libertação.

A historiografia tem privilegiado, de forma compreensível, o estudo da luta armada, da acção diplomática oficial e das estruturas políticas dos movimentos de libertação. Menor atenção tem sido dedicada aos estudantes, intelectuais e refugiados políticos que, acolhidos por igrejas, universidades, instituições sociais, organizações estudantis, sindicatos, partidos políticos e movimentos de solidariedade europeus, desenvolveram um intenso trabalho de sensibilização da opinião pública internacional para a realidade colonial portuguesa e para a causa da independência de Angola e dos restantes PALOP.

O percurso de Astrid Cecília de Carvalho constitui um exemplo particularmente significativo dessa outra frente de luta. Depois da experiência vivida na Casa dos Estudantes do Império, da prisão pela PIDE e do exílio, estabeleceu-se em Itália, onde colaborou com jovens italianos e diversas organizações de solidariedade internacional, promovendo conferências, debates, campanhas de informação e iniciativas culturais dedicadas à realidade angolana.

O seu testemunho evidencia igualmente a proximidade com a família de Agostinho Neto e a actividade que desenvolveu, após a independência, na direcção do Escritório Comercial de Angola em Milão, contribuindo para a promoção da economia, da cultura e da imagem institucional do novo Estado angolano em Itália, em colaboração com a Embaixada de Angola em Roma.

Estas memórias demonstram que muitos dos movimentos europeus de solidariedade com Angola não surgiram desligados dos próprios angolanos. Pelo contrário, foram frequentemente construídos em estreita articulação com estudantes, intelectuais e exilados africanos que, através da sua experiência, conhecimento e capacidade de mobilização, desempenharam um papel essencial na criação e consolidação dessas redes internacionais.

Embora afastados das frentes militares, muitos destes jovens exerceram, na prática, funções de representação política, mediação cultural e diplomacia informal, tornando-se verdadeiros embaixadores da causa angolana junto das sociedades europeias.

Neste sentido, o testemunho de Astrid constitui uma fonte primária particularmente relevante para compreender formas de participação na luta de libertação que permanecem ainda pouco documentadas. A sua leitura contribui para alargar a compreensão do nacionalismo angolano, evidenciando que a independência foi igualmente construída através da acção de homens e mulheres que, a partir da diáspora, mobilizaram consciências, estabeleceram alianças e promoveram internacionalmente o direito dos povos africanos à autodeterminação.

Este testemunho adquire ainda maior relevância quando colocado em diálogo com outras memórias reunidas pela Plataforma História Social de Angola. Diversos episódios aqui narrados cruzam-se com os depoimentos de Artur da Costa e de António Santos Pinto e esposa suíça, Bernardette que se conheceram numa reunião de apoio de jovens suiços à causa da independência de Angola, membro da “Operação Angola” radicado na Suíça, bem como com outros testemunhos em fase de recolha. Esta triangulação entre diferentes memórias permite confirmar cronologias, identificar redes de sociabilidade, compreender percursos convergentes e revelar a diversidade das formas de participação da diáspora angolana durante o processo de libertação nacional.

A Plataforma História Social de Angola considera esta triangulação de testemunhos um dos pilares da sua metodologia de investigação. Cada depoimento é entendido não como uma narrativa isolada, mas como parte de uma memória colectiva em permanente construção, articulada com documentação escrita, fotografias, espólios pessoais, bibliotecas particulares, arquivos públicos e investigação académica. Esta abordagem permite produzir uma história social construída a partir das experiências dos próprios angolanos, valorizando simultaneamente a pluralidade de perspetivas e o diálogo entre diferentes fontes de conhecimento.

A publicação deste testemunho constitui igualmente uma homenagem póstuma a Astrid Cecília de Carvalho, falecida em 2018. Ao integrá-lo no seu acervo, a Plataforma História Social de Angola procura preservar o legado de uma mulher cuja acção cívica, política e cultural permanece inseparável da história da diáspora angolana e das redes internacionais de solidariedade com a independência de Angola.

Mais do que um documento cruzado ao depoimento de Artur da Costa, este texto representa uma contribuição autónoma para a história social de Angola. A sua publicação reafirma a missão da Plataforma História Social de Angola de recuperar, preservar e restituir à sociedade angolana memórias produzidas pelos próprios angolanos, contribuindo para uma história construída de angolanos para angolanos, em diálogo com a comunidade científica internacional e aberta às gerações futuras.

Dos tempos da Casa dos Estudantes do Império (CEI) à mobilização em Itália a favor da luta do povo angolano

Astrid de Carvalho*

Cheguei a Lisboa no mês de Novembro de 1961, e tive tempo de ver a chegada a Luanda dos militares portugueses que vinham defender os interesses do governo colonial, depois dos acontecimentos do 4 de Fevereiro e de 15 de Março. O MPLA e os outros movimentos de liberação do povo angolano tinham sido obrigados a começar a revolta armada. Até esse momento saíamos do liceu e éramos bombardeados de brochuras, com informações sobre a situação político social do pais, que apanhávamos a correr e que escondíamos logo. Tínhamos reuniões clandestinas nos vários bairros, o meu era a Maianga, onde os mais velhos nos informavam, instruíam, numa palavra ajudavam-nos a abrir a mente e o coração para os problemas reais do nosso povo. Devo lembrar dois nomes, que infelizmente já não estão connosco, mas que foram muito importantes para na nossa formação: Helder Neto no liceu e Henrique Abrantes, que morava na vivenda gémea da minha e nos encantava todos os sábados quando voltava do mato com gravações de concertos de música tocada por miúdos com instrumentos feitos por eles. Tudo foi destruído pela PIDE, que ficou com tudo quando o foi prender, inclusive a maravilhosa coleção de arte que trazia das suas viagens no interior do país. E também recordo as informações e a ajuda que nos dava um senhor português que morava mesmo em frente da nossa casa, mas infelizmente não me lembro do seu nome e nem sei o que foi feito dele.

A minha chegada a Lisboa foi traumática. Fazia muito frio (para mim) e Lisboa era cheia de velhos e cegos, o que me impressionou muito, não estava habituada a tanta gente idosa, a nossa esperança de vida em Angola, na altura, era de 33 anos…

Comecei a frequentar a CEI em 1961 por ocasião de uma palestra sobre a energia do vento feita por um engenheiro cabo-verdiano, não me lembro quem me convidou, se o Henrique Dinis da Gama ou a rapariga que está sempre comigo nas fotos da época e de que não me lembro do seu nome.

Na CEI conheci pessoas maravilhosas, muitas já não estão connosco: o Paulo Jorge, e a Rute e Eva Magalhães (com as quais constituímos um grupo feminino), o Alfredo e a Manuela Margarido, os Meireles, o Fofo Mendes que foi nosso último presidente, o Gringas, o Rodinhas, o Eduardo Medeiros, o Mário Machungo com quem trabalhei como secretária da Assembleia Geral da CEI e do Henrique Guerra com quem exerci a mesma função na Assembleia Executiva, o Rui Mingas, o Óscar Monteiro, o Artur da Costa que até hoje é uma fonte de informações sobre a nossa Angola, ele e o Eduardo Medeiros, a Aida Freudenthal, o Artur Pestana (Pepetela), o Manuel Rui, o Luandino Vieira, a Vitória “Cachimbinha”, o Lobato, a mamã Domingas que nos servia a comida na cantina com tanto amor, e tantos outros amigos e companheiros maravilhosos. Na CEI publicávamos os nossos escritores e poetas, assistíamos a conferências, fazíamos teatro com o António Faria, praticávamos desporto, organizávamos festas e almoços com as comidas das nossas terras.

A certa altura perdi a minha bolsa de estudos, porque não consegui manter a média na universidade e comecei a trabalhar para poder manter os meus estudos. Em 1964 fui fazer um curso de francês a Tours e no fim do curso dei um salto a Paris, onde entreguei ao Paulo Jorge e ao Câmara Pires, da representação do MPLA em Paris, um relatório da CEI sobre o problema dos camarada brancos que estavam prontos para a luta.

No meu regresso fui recebida por amigos da CEI, à frente dos quais estava a Eva e o seu marido Matos Viegas. Senti-me muito importante e amada, mas na realidade esta recepção era devido ao facto que o Eduardo Medeiros estava preso e não tinha familiares em Lisboa para o ir visitar e portanto eles convenceram-me que eu tinha o dever moral de escrever uma carta à PIDE pedindo autorização para o visitar na qualidade de sua noiva. Escrevi a tal carta que foi recusada porque o Eduardo negou que fosse sua noiva, mas eu tinha feito o meu dever e não era culpa minha se ele não tinha visitas. Conto isto para mostrar de maneira concreta quanto éramos unidos e como o problema de um era o problema de todos. Éramos como os mosqueteiros, todos por um e um por todos, era este o espírito da CEI.

Em 64 começaram mais uma vez a ser presos elementos da CEI : a nossa Vitória de Almeida e Sousa foi a primeira a ser detida e ficou 3 anos na cadeia, seguida pelo Milton Almeida Tavira, o João Baptista que creio que esteve preso durante 4 ou 6 anos, o José Teixeira Lucas, na altura militar no exército português que fornecia informações aos movimentos de libertação, o que não lhe perdoaram, condenando-o a 9 anos de prisão, o Henrique Guerra, Presidente da Assembleia Executiva da CEI, condenado a 8 anos de prisão, eu, Secretária da Assembleia Executiva, e a Arminda Faria (enfermeira de Luanda e amiga de João Baptista). Eu e Arminda fomos postas em liberdade depois de 1 ano de prisão, tínhamos sido absolvidas pelo tribunal. Eu fui a última a ser presa, depois do Henrique Guerra e portanto já estava preparada. Mas tive tempo para fazer parte da mesa da última Assembleia Geral da CEI dirigida por Mário Machungo, futuro primeiro-ministro de Moçambique, quando “Fofo” Mendes era o presidente da CEI. A minha mãe queimou tudo o que encontrou com o nome da CEI e portanto hoje não tenho nada, nem o cartão nem os livros publicados pela CEI, nem sequer uma número da nossa revista “Mensagem”.

Depois de um ano de prisão, saí da cadeia de Caxias em 1965, magra e enfraquecida fisicamente e psicologicamente. Seguindo os conselhos do Dr. Arménio Ferreira, o nosso médico angolano da CEI, fiz um regime para me restabelecer e ganhar alguns quilos. Nisso fui ajudada pela Eduarda, amiga do Eduardo Medeiros. Vivi então no Algarve, no campo, numa casa de camponeses do PCP que me hospedaram 4 meses. Voltei depois para Lisboa e fui trabalhar para a Berliet como secretária da direção. Foram três anos difíceis. Todos os dias, quando saía de casa tinha um “acompanhador”, que me seguia todo o dia, e todas as pessoas que eu cumprimentava ou que encontrava eram controladas. Na direção da Berliet, arranjando os dossiers, encontrei um da PIDE, que continha os relatórios sobre todos os estudantes do Instituto Superior Técnico que faziam ali os seus estágios. Tinha absolutamente de tentar fugir, abandonar tal situação.

Deixei Lisboa em 1968, encontrando trabalho numa companhia americana Publishe Representative que angariava estudantes para vender porta a porta assinaturas de revistas de vários países. Era para mim a maneira mais fácil de sair de Portugal, visto que se tratava de uma companhia americana. Depois do grupo de estudantes, do qual eu fazia parte, vender assinaturas em Portugal, Espanha e França, chegámos à Itália. Estávamos há uma semana em Itália, quando os chefes da Publisher Portuguesa foram obrigados a voltar para Lisboa. Tratava-se de uma vigarice. Soube depois que era uma companhia que fazia publicidade de várias revistas e tinha direito a uma assinatura anual grátis da parte das revistas de que fazia publicidade. Assim, nós vendíamos uma assinatura, por exemplo do Nouvelle Observateur, a três ou quatro pessoas, uma delas tinha sorte e recebia a tal assinatura gratuita. Os outros, não recebiam nada. Até que a vigarice foi descoberta…

Logicamente aproveitei para ficar em Itália onde fui bem recebida e encontrei, numa semana, trabalho como tradutora na Olivetti Publicidade, onde todos os trabalhadores eram intelectuais da esquerda.

Os milaneses eram muito curiosos e muitas vezes, enquanto esperava por um autocarro, perguntavam de onde vinha e aproveitavam para falar de Angola, que não conheciam. Era, de certo modo, o início das minhas actividades para informar sobre o meu país. E, um dia fui contactada por uma jovem senhora que era professora e começou então o meu trabalho de informação sobre Angola no meio académico, numa escola do ensino secundário. A ficha sobre Angola que usavam nessa altura no ensino, falo dos anos 70 e 71, era completamente errada, tanto do ponto de vista geográfico como político-social.

O segundo passo foi o de fundar com Gianna e Lucien Mégévand, Nicolò Giannotti, Adele Lombardi, Todeschini, Weiss, Sandro Sessa e outros um comité “Amici della Angola Libera” (Amigos de Angola Livre) para fazer contrainformação, porque em Itália governava a Democracia Cristã e a informação era toda contra o povo angolano. Muito pró Unita e portanto contra o MPLA, que era tido como um movimento filo soviético e portanto não tolerado pela maioria de direita que compunha o governo italiano. Tínhamos contactos com os jornais, nem sempre fáceis, com a televisão, sobretudo com o canal três e a rádio, sobretudo a Rádio Popular. Este comité Amigos de Angola Livre trabalhou com o Comité Anti-imperialista Amilcar Cabral, de Giancarlo Costadoni, com o Tribunal Russel de Lello Basso e com Movimento “Liberazione e sviluppo” (Libertação e Desenvolvimento) de Enrico Dodi. Fiz conferências sobre Angola promovidas pela ANPI (Associação Nacional Partiggiani Italiani), com os sindicados, trabalhei com o Tribunal Russel e participei em 76 na Algéria à elaboração do texto dos Direitos dos Povos. Nesta atividade de contrainformação fui muito ajudada por Venâncio de Moura, então representante do MPLA em Lisboa e que foi depois, em 76, o primeiro Embaixador da RPA (Republica Popular de Angola) em Roma, e pelo meu primo Henrique Santos “Onambwe”, então membro do Bureau Político do MPLA.

Depois de ter sido contactada pela jornalista Augusta Conchiglia, falei pela primeira vez em público em nome do MPLA, em Roma, em 1973, numa manifestação a favor dos movimentos de libertação de todo o mundo promovida pelos sindicatos e partidos da esquerda e também por movimentos da esquerda. A minha participação nessa manifestação assim como a mensagem que transmiti foram feitas de acordo com o camarada Venâncio de Moura, que, como já disse, era então o representante clandestino do MPLA em Lisboa. O representante do MPLA em Itália era um tal Manuel Jorge que não era muito claro nas suas posições políticas e que portanto não era de muita confiança. Eis a razão dos meus contactos com Lisboa e não com Roma.

Conheci também nessa época Leda Giulini e Joyce Lussu que ajudaram Agostinho Neto a fugir de Portugal. Leda e os seus filhos Gabriele, Iantra e Miguel, foram amigos de Agostinho Neto e da sua família. Quando Maria Eugénia Neto, esposa do Presidente Neto, vinha a Milão, era hóspede de Leda Giulini, e foi na casa dela que tive o prazer e a honra de a conhecer.

No dia 21 de fevereiro de 1976 foi feita uma manifestação em Milão para que a República Popular de Angola fosse reconhecida pela República Italiana. De facto, a Itália foi o primeiro estado europeu a reconhecer a RPA em 76.

Sempre em 76, depois da abertura da Embaixada em Roma, promovemos em Milão, com o Movimento Libertação e Desenvolvimento (Movimento Liberazzione et Sviluppo) de Enrico Dodi, com a Embaixada de Angola em Roma e com o apoio do município de Milão, uma exposição no Museu Santa Croce sobre o novo ensino primário em Angola, foi um grande sucesso.

Em 1976 terminou a minha atividade de contra-informação, e passei a colaborar com a Embaixada de Angola. Trabalhei depois como responsável do Escritório Comercial de Angola, no Palácio África (representação em Itália do Ministério angolano do Comércio Externo) de 1989 a 92, onde promovi o comércio, ajudas alimentares da CEE, a nossa cultura, o nosso cinema, sempre em colaboração com a Embaixada em Roma.

Em 1997, eu e a minha amiga Itala Vivan, professora universitária (que promoveu e promove escritores africanos em Itália, como foi o caso da publicação do primeiro livro de Pepetela publicado em Itália, “Mayombe”), participámos numa Conferência Internacional, em Bruxelas, a favor do povo angolano, organizada pelo Comité Afrique Austral, presidido por Paulette Pierson-Mathy e onde Artur da Costa era colaborador. Entre os convidados que tomaram a palavra nesta Conferência, Paulo Jorge, antigo da CEI, na altura Secretário do Bureau Político do MPLA para as Relações Exteriores, fez uma importante comunicação: “La problématique politique actuelle de l’Angola”. Eu tinha escrito um texto para este evento, “L’engagement politique des écrivains angolais”, que foi publicado pelo Comité Afrique Australe no livro das Actas da Conferência, “Angola, éléments d’analyse – Actes de la Journée de Solidarité, 24 mai 1997”.

Esta é, em síntese a minha história em Itália, nomeadamente em Milão, nos anos 1970/90.

*Secretária da Assembleia Executiva e da última Assembleia Geral da Casa dos Estudantes do Império (CEI).

Faleceu em 2018 em Milão.

(Nota: este texto fazia parte dum projecto, que não foi concluido, proposto pela historiadora Aida Freudenthal para reunir depoimentos de antigos membros da CEI dispersos em vários países.)

Palavras Chaves: Comité “Amici della Angola Libera” (Amigos de Angola Livre)|Paulo Teixeira Jorge|Casa dos Estudantes do Império|Aida Fredenthal|Itala Vivan|Venâncio de Moura|Comité Anti-imperialista Amilcar Cabral| Giancarlo Costadoni|Tribunal Russel de Lello Basso|Movimento “Liberazione e sviluppo” (Libertação e Desenvolvimento)| Enrico Dodi

Lisboa, 15 de Setembro de 2026

Edição: Marinela Cerqueira