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O Ensino nas Regiões Rurais, Flora Muteka Cardoso

A Estação de Bunjei, também conhecida como Missão de N´Galangue, foi a primeira Missão fundada por missionários afrodescendentes vindos da América, alguns anos após o fim da escravatura nos EUA. Pelo papel desempenhado pelos missionários protestantes na educação dos angolanos, distinguindo-se do modelo do império português, esta memória oral é uma oportunidade excepcional para conhecer as coincidências entre a historiografia e a percepção dos protagonistas nacionais.

Mais uma vez recorremos ao testemunho de Judite Luvumba, ex-estudante da Missão Central do Dondi. Ambas foram bolseiras no ensino liceal. O Lar Académico era o local de residência dos estudantes vindos das missões para frequentar o Liceu de Nova Lisboa.

A Professora Flora Faustino Muteka Cardoso transporta-nos à Missão de Bunjei nas décadas de 1940-1950. Descreve o quotidiano, o papel da sua mãe na educação da família e o desejo desta em trabalhar no hospital. O seu pai, o enfermeiro Faustino Nunes Muteka, escapou às emboscadas sucessivas da PIDE; durante o dia era protegido pelos missionários enquanto trabalhava e, à noite, refugiava-se nos cafeeiros.

Contextualiza a segregação do império colonial na região centro-sul de Angola e reafirma o papel dos pais, da família e do ambiente das missões protestantes na sua trajectória de vida. Tal como outras jovens protestantes, foi uma das primeiras professoras angolanas e foi indicada para a abertura de uma Escola de Posto numa estação ferroviária próxima da cidade do Huambo.

Após a Independência, participou na elaboração de manuais de formação para professores de posto, que asseguraram a continuidade do ensino nas zonas rurais. Depois da reforma, continuou a contribuir para o ensino nacional, fundando o Colégio Bom Sucesso com colegas de profissão. Nesta memória destaca o papel fundamental do ensino rural e explica, de forma simples, o processo de superação profissional promovido pelo Ministério da Educação, até que o último Professor de Posto alcançasse o nível de escolaridade indispensável para garantir o direito à educação das crianças das aldeias e localidades.

De forma peremptória, apela às novas gerações para valorizarem a paz, pois para si a paz não tem preço, e recomenda o exercício permanente da democracia.

INTRODUÇÃO

Eu sou Flora Faustino Muteka Cardoso[1], filha de Faustino Nunes Muteka, enfermeiro e de Joaquina Elias Muteka[2]. O meu pai era enfermeiro na Missão de Bunjei. A minha mãe foi uma mãe muito carinhosa, educou e criou muita gente.

A MÃE,  DONA DE CASA

Ela não trabalhou e sempre lamentou, também gostaria de ter trabalhado no hospital de enfermagem. Mas o médico disse-lhe: “Faustino a tua mulher deve ficar em casa, acompanhar os filhos para não receberem educação na rua. Fica a tua mulher em casa, a tomar conta deles, a saber a hora que vão à escola, se tomou o pequeno-almoço, se estão preparados, se fizeram os trabalhos marcado a hora que o professor marcou, a preparam o vestuário, a cuidarem-se; ao invés de serem abandonadas”. Assim ficou a esposa a tomar conta dos filhos.

Por isso, nós conseguimos a informação por causa das nossas mães porque elas estavam sempre connosco. Quando chegamos da escola: Mostra o caderno, que matéria o professor hoje deu, aqui não está bem, vai buscar o livro, repete. Aqueles que estudavam as classes maiores era o meu pai a orientar as tarefas, orientava a noite. Por isso nós conseguimos, essa vontade, esse apego a querer subir cada vez mais, porque quando eu casei só tinha a décima classe, o meu marido levava-me à escola, fiz o sétimo ano e surgiu a independência. a mãe criou filhos, orientou os estudos dos filhos, cuidava da roupa, da alimentação, também tinha pessoas em casa com quem trabalhava. Os irmãos e sobrinhos viviam lá em casa para aproveitarem estudar. A minha mãe orientava tudo, nós estudávamos de manhã e os seus irmãos e sobrinhos vindos das aldeias já com uma certa idade estudavam à tarde.

A INFÂNCIA, MISSÃO DE BUNJEI

A Missão de Bunjei foi fundada pelos missionários americanos, afro descendentes, filhos de africanos vindos dos EUA. Havia também missionarias ingleses e canadianos, ele revisavam-se, mas a Missão foi fundada por missionários afro-americanos “negros”. Eram um grupo de missionários que iam às aldeias buscar os jovens, traziam-nos para a missão, fizeram um internato de meninos e outro para meninas. E o meu pai também teve a oportunidade de ingressar nessas fileiras dos primeiros alunos da Bunjei.

Ele foi enfermeiro, o hospital e a igreja. A igreja fazia a preparação acadêmica, o hospital, agronomia, carpintaria, cerâmica, tinha tudo. desenvolveram essa parte do centro sul de Angola. E eles não ficavam somente na Missão, à medida que formavam os alunos e enfermeiros. Inicialmente, os primeiros enfermeiros recebiam aulas dadas por um médico, foram formados por eles. Mais tarde, quando aqueles afro-americanos se foram embora, vieram canadianos, missionários brancos.

Os nossos pais sofreram muito. O meu pai dormia no cafeeiro porque eles iam buscar as pessoas a noite, a PIDE ia roubar as pessoas com formação mais alta e metia-as na cadeira. Então, o meu pai dormia sempre no cafeeiro. O meu pai saia do hospital, chegava a casa, jantava e ia dormir no cafeeiro, o meu tio era enfermeiro, não era assimilado e disse-lhe “isso é para vocês os assimilados, eu não sou, ninguém vai me fazer mal”. Então ele não fugiu porque alguém o avisou que iriam fazer a emboscada, como ele não fugiu foi levado preso. o meu pai quando soubesse de algo dormia logo no cafeeiro, ele safou-se mas o meu tio foi para a cadeia, ficou cinco anos preso.

Nunca faltava pilhas para pôr no rádio porque não tínhamos rede elétrica, os rádios só trabalhavam a pilhas. O meu pai quando ia trabalhar a noite no hospital, o meu irmão é que ficava a ouvir os nossos Irmãos Cambutas, ouvia e depois quando o pai chegasse ele explicava. nos todos ficávamos em casam a sorte quando eles se fossem embora, o meu Pai entrava em casa, preparava-se e ia ao hospital trabalhar.

Essas emboscadas da PIDE eram ilegais? eles iam buscar, basta saber ser um intelectual levavam. Eles não iam buscá-lo ao hospital porque estavam lá os missionários.

ENSINO INDÍGENA NAS ESCOLAS DAS MISSÕES PROTESTANTES

Então nessa época, se estudava até a quarta classe em Bunjei e depois os missionários enviavam os estudantes para a Missão do Dondi para fazerem a formação durante quatro anos, voltavam com uma profissão, uns eram enfermeiros.

Para além da formação dos jovens havia também a formação de adultos porque tinham também de saber ler em línguas nacionais para poderem interpretar a bíblia. todos sabiam ler, escrever sabiam os que iam para a escola. a interpretação era feita oralmente em línguas nacionais porque eles também evangelizavam nas línguas nacionais. E todos tinham de ler a bíblia durante o curso e saber interpretar o que está na bíblia e davam aulas bíblicas.

As meninas aprendiam a cuidar da casa. havia a escola CEDO, Educação para as Donas de Casa. Aquelas que iam para a Missão com uma certa idade aprendiam a ler e escrever e depois estudavam até a terceira classe, seguiam para a escola CEDO onde aprendem como cuidar da casa, com tratar dos filhos, sobre a alimentação, a tratar da roupa, bordar, tricotar, aprendiam essas coisas todas.

Depois, com a formação que eles tinham, aqueles que vinham da Missão do Dondi, uns eram pastores, outros enfermeiros e professores enviaram-lhes para os centros da Missão nas aldeias para eles também ensinarem aos outros.

As senhoras só sabiam ler e as que não estiveram no internato aprendiam a ler, para quê para ler a bíblia, cantar os cultos. Todos sabiam ler, velhos, crianças, adultos porque quando estivessem a ler a bíblia durante os cultos ele todos acompanhavam com a sua bíblia, liam. e também em casa os pais ensinavam os filhos. E nessa escola das senhoras ensinava se a ética, a maneira de ser e de estar, como é que se fica a mesa, como é que se segura…

Os professores sabiam essa ética e depois abriram uma escola chamada CEDO, que significa essa forma de etiqueta. Portanto, havia missão, internatos, uma escola de meninos e meninas.

A Missão foi fundada pelo Dr. Me Dowell. MC Millan foi o primeiro missionário fundador do hospital do Bunjei, eram acompanhados pelo agrônomo Dr. Colles, este ensinava a agricultura, a cuidar do gado, também ensinava cerâmica. Ele era multifacetado, ensinava carpintaria e serralharia. E só falavam em umbundo porque a língua nacional naquele sítio é o umbundo. Traduziram todas as bíblias, hinos e hinários em umbundo.

Mas depois, o império colonial já não aceitava traduções apenas as bíblias e estes livros em umbundo, passaram a ter de ser traduzidos também em português porque a PIDE tinha o receio que estivessem a fazer coisas que fossem prejudicar o estado. Então foram obrigados a traduzir em umbundo e em português. Depois as bíblias eram bilíngues, português e umbundo. Alguns sabiam falar inglês, os enfermeiros e professores, o meu pai também já falava inglês. Mas quando eles foram embora, foram esquecendo pelo pouco uso da língua e com o passar do tempo.

Na Missão do Bunjei, o engenheiro agrônomo, o Dr. Calls, obrigava a trabalhar no campo, a criar animais, a trabalharem, a cuidar da casa, do centro da missão. Nesse centro notava-se a diferença dos centros das missões católicas. Não há comparação porque os católicos estavam mais direcionados aos seminários e os seminaristas seriam padres. Mais tarde, abriram escolas, mas não eram para os indígenas, eram para os assimilados e para os portugueses.

A SEGREGAÇÃO DO ENSINO

De manhã iam à escola, os mais novos estudavam de manhã e os mais velhos estudavam à tarde. Mas, os portugueses não deixaram haver uma progressão rápida, a normal. Então, eu comecei a estudar, os professores da Missão ensinavam da pré a segunda classe, a terceira classe e a quarta também se estudava na missão mas tinham de ser lecionadas por professores portugueses. Então, o império colonial para atrasar o tempo da escolaridade, havia: a Pré A e a Pré B, segunda A e segunda B, terceira elementar e a terceira complementar, quarta classe elementar e complementar. Naquele tempo entrava-se na escola aos sete anos e acabava o ensino primário aos dezassete anos, para impedir a continuidade da escolaridade.

O meu pai conseguiu o título de assimilação. Aos professores e aos enfermeiros de idade a cidadania portuguesa e a partir dessa data os seus filhos já não podiam estudar na Escola da Missão tinham de estudar na escola primária. Eu, os meus irmãos, os filhos de professores e dos enfermeiros fomos estudar na escola Primária do Chipindo, onde tinha alguns filhos de portugueses, estudamos juntos.

O CARTÃO DE INDÍGENA

O meu pai tinha o cartão de indígena o simbolizado por um bebê com uma cauda. A guerra fez perder todas essas recordações, fugindo de um lado e de outro as pessoas deixam tudo, senão seria um documento para as crianças de hoje saberem o que foi, qual é a luta dos nossos velhos, o que fizeram para conseguirmos hoje vivemos assim, todos iguais. todos aqueles que não tivessem a assimilação, tinham este documento, depois de ser assimilado já tínhamos a certidão normal.

O LAR ACADÉMICO, HUAMBO

Quando estudei a quarta classe na escola primária já tinha perdido tempo a estudar seis anos na Escola da Missão, quando eu estava na terceira classe o meu pai tornou-se assimilado e foi quando nos chamaram para estudarmos na Escola Primária em Chipindo e fomos todos estudar. eu saí daquela escola aos catorze anos. Depois, houve um problema qualquer, as pessoas que estavam a estudar fora da Missão tinham de voltar. Então, eu tive de fazer a admissão na Missão. estudar a bíblia porque fiquei aqueles anos na Escola Primária sem estudar a bíblia. então durante dois anos tive de estudar a bíblia. depois disso, aproveitei ter aulas de preparação a Admissão ao liceu. depois de fazer o Exame de Admissão fui selecionada para ir estudar no Huambo, onde fomos nos encontrar com a mana Judite, com a sua irmã Valentina, com a Rebeca Valentim, com a Anabela Malaquias e várias pessoas enviadas por todas as missões para residirem no Lar Académico. Depois de fazer o segundo ano estudei na Escola Comercial, onde estudei o terceiro e o quarto ano, mas não tive bons resultados.

O meu pai também não tinha possibilidade de suportar os custos do liceu de todos os meus irmãos e eu preferi começar a trabalhar.

PROFESSORA DA ESCOLA DE POSTO

Comecei a trabalhar em um posto escolar novo, numa estação ferroviária próxima ao Huambo, trabalhei dois anos, no terceiro ano tinha vinte e um anos e casei-me. Depois de me casar fui transferida e comecei a trabalhar na escola missionária católica, consegui a transferência para estar ao lado do meu marido.

Mais tarde, tivemos a formação do ensino primário para poder começar a trabalhar, trabalhei durante seis meses na Educação no Distrito do Huambo, como directora distrital do Huambo de onde transferiram-me para esse posto. Onde fiquei a trabalhar dois anos, voltei, casei-me. Naquele tempo, já havia o ecumenismo, consegui casar. O meu marido é seminarista da Igreja Católica onde nos casamos. Então, quando fui transferida para o Huambo comecei a trabalhar na Missão Católica do Huambo, e comecei a estudar, trabalhava e a tarde ia estudar para concluir o quinto ano do Liceu e depois fiz o Magistério Primário.

ENSINO PRIMÁRIO NAS REGIÕES RURAIS

Pouco depois de concluir o Magistério Primário fomos independentes. Depois da independência, chamaram todos os professores com o quinto ano para fazermos uma formação para ensinarmos os professores de posto. Fomos formados em formadores dos professores de posto. Estes tinham a quarta classe. Eles não saiam das escolas, os manuais chegavam às escolas: trabalhei no Ministério na elaboração dos manuais e enviamos para as escolas. Uns Professores do Posto fizeram a sexta classe e outros continuaram até a oitava classe.

Fazíamos e enviamos os manuais. depois íamos visitar as escolas. Eles preenchiam e enviam-nos, corrigimos e mandamos os manuais seguintes, quem não conseguisse fazer, repetia, esse era um ensino a distância.

Quando concluímos este trabalho, todos professores da quarta classe terem a sexta classe e continuarem a estudar até a oitava classe já tínhamos idade para sermos reformados. Com essas colegas conseguimos abrir um colégio, uma era especializada em química, outra em biologia e outra em física. O nosso trabalho foi reconhecido, aceitaram a nossa proposta e começamos a trabalhar. Deixei de trabalhar quando comecei a ter problemas da coluna. Estávamos à espera, no princípio as pessoas eram unidas, queríamos ouvir o que diriam os nossos irmãos cambutas. Antes de surgirem esses três movimentos, eram todos os irmãos cambutas. Éramos todos muito unidos, não importava o nível de formação, havia pouca gente com formação superior. Todos os postos eram ocupados pelos colonizadores que tinham formação média e superior, aqueles angolanos, os nativos com formação eram poucos. Eram muito índios. Quando ouvimos falar no 25 de Abril foi uma festa muito grande, mas depois começou a surgir problemas. Porque foi a partir do 25 de Abril que começaram a libertar as colônias portuguesas. As independências de Moçambique e de Angola foram mais tarde, Portugal não queria. Descolonizar Angola, na escola já se cantava um hino “Angola é nossa” eles não queriam – Angola é Nossa!

As pessoas começaram a fugir, os nossos amigos, nós também a fugir, cada um foi para o seu lado.

O DIA 11 DE NOVEMBRO DE 1975

Foi inédito porque havia discordância entre os do norte e os do sul por causa dos movimentos. Eram três movimentos: FNLA, MPLA e UNITA. Eu não apreciei a independência porque andei a lutar pela sobrevivência. Um primo foi buscar-me a casa quando eles começaram a lutar entre eles, foi buscar-nos e levou-nos a casa da mãe dele, um sítio onde não conheciam as pessoas porque o meu irmão era um grande ativista do MPLA. Quando começaram a fazer caça aos homens, um outro primo foi buscar-nos a essa casa e levou-nos para outro sítio. A sorte é haver alas, o meu primo era MPLA-Chipenda e levou-nos do Huambo para a Missão do Bunjei. Quando lá chegamos também estavam as tropas da UNITA e tivemos de sair de lá. Depois, disseram que o MPLA já estava outra vez no Huambo e tivemos de voltar. Quer dizer, os de Luanda diziam “todos do sul têm de ir para o sul” e os do sul diziam também “todo do norte tem que ir’’, foi horrível!

Os portugueses também fugiram dos quartéis, onde se refugiavam, de lá iam para os aviões para regressarem. Perdi um irmão e outro teve de fugir para o quartel e fugiu com os portugueses para Luanda. O meu pai também foi baleado por ter filhos do MPLA. mais tarde, quando a situação acalmou tiveram de ser tirados de lá para o Huambo onde a família estava. ficaram no Huambo com o meu irmão mais velho ele foi buscá-los.

Como o MPLA depois ganhou começou a governar o país todo. O meu irmão foi destacado para Comissário do Cuito e depois foi para Luanda.

CONSELHOS ÀS NOVAS GERAÇÕES

Nós temos de ser todos irmãos para haver sempre harmonia porque a paz é a melhor riqueza que a humanidade tem. onde há paz, há comida, há estudo, há formação, e desenvolvimento. mas, onde não houver paz tudo desaparece. aquilo que vocês já fizeram destrói tudo e é muito triste.

A democracia é um exercício que deve ser apoiado e exercido por toda a gente. respeitar as noções dos outros e dialogar, nunca a guerra, apoiar coisa desse mundo é a guerra. Por isso, as novas gerações devem pautar sempre pelo diálogo, nunca para a guerra. Aquela paz que nós conseguimos em angola, foi uma paz conseguida com muito sangue de muitos angolanos de ambas as partes. somos angolanos então tem de nos aceitar como irmãos. e não estarmos a lutar só por causa do poder. poder conquistado nas urnas, não nas armas porque quem quer conquistar o poder com armas quer destruir o país.

Nós passamos mais de vinte cinco anos de guerra, foi muita luta, foi muito tempo de guerra até chegar a exaustão. Então acabou-se com a guerra, foi uma vitória muito grande para Angola porque Angola já consegue reerguer-se, começa a reconstruir-se, tanto na parte do estado como nas infraestruturas formar mais técnicos, ou técnicos a empreenderem.

E é bonito ao invés de estarem a esperar pelos outros países venham fazer. Em Angola há angolanos com muito talento, eles têm de estudar muito para poder desenvolver o país e valorizarem aquilo que os seus antepassados fizeram para chegarmos até ao dia de hoje. A paz é muito importante, a paz não tem preço, é preciso ensinar as novas gerações a valorizarem a paz, com a paz faz-se tudo. Senão é a destruição e a tragédia.

Este depoimento foi realizado em Lisboa, no Verão 2025.

Entrevista e Transcrição:  Marinela Cerqueira

Revisão: Judite Luvumba Palavras Chaves: Professores de Posto| Missão de Bunjei| Lar Acadêmico do Huambo


[1]Faustino Nunes Muteka(30 July 1905? – 12 February 2018) was an Angolan supercentenarian whose age is currently unvalidated by the Gerontology Research Group (GRG). If his age is true, he could be one of the oldest people ever who was born and died in Angola. Faustino claimed to have been born in Portuguese West Africa (currently Angola) on 30 July 1905. He was a nurse at the Bunjei Mission in Angola, together with his wife Joaquina Muteka, they celebrated 75 years of marriage. Faustino died in Angola on 12 February 2018 at a claimed age of 112 years, 197 days.

[2] Joaquina Elias Muteka was born in 1930, in Chipindo, Huíla, Angola as the daughter of Elias Kamufingo and Graciana Chionga Humba. She married Faustino Nunes Muteka in 1940, in Galangue, Kuvango, Huíla, Angola. They were the parents of at least 2 sons and 1 daughter. She died in 2017, in Luanda, Luanda, Angola, at the age of 87.https://ancestors.familysearch.org/en/G7Y9-S2Y/joaquina-elias-muteka-1930-2017