O projecto assume a história oral como método e como direito. O depoimento não substitui o documento de arquivo: dialoga com ele. Cada testemunho é tratado como fonte primária, devidamente contextualizada, cotejada e devolvida ao depoente para validação, no respeito por um princípio de ética da memória.
A série documental pretende ser um instrumento pedagógico e cívico: dirige-se a estudantes, investigadores, professores, jornalistas e ao público em geral — em Angola e na diáspora — oferecendo às novas gerações uma cartografia audiovisual do país a partir das vidas concretas de quem o construiu.
Nota de abrangência: a expressão “contada pelos próprios angolanos” não exclui quem, sem ser de origem angolana, dedicou a Angola anos decisivos da sua vida. A história social que aqui se recompõe abarca igualmente os amigos de Angola — estrangeiros, funcionários internacionais, missionários, cooperantes e outras testemunhas — cujo testemunho é inseparável dos factos vividos no país. São particularmente relevantes os relatos de funcionários das Nações Unidas e de organizações humanitárias que estiveram presentes durante o período de emergência e o conflito entre irmãos, contribuindo para a compreensão de uma época em que Angola precisou do olhar e do apoio do mundo.