História Social de Angola

Projecto editorial em desenvolvimento

Série documental
Angola, 1930 – 2020

A plataforma História Social de Angola reúne um corpus original de 62 depoimentos audiovisuais, correspondendo a mais de cem horas de material editado e a mais de mil páginas de transcrição revista. Sobre este acervo prepara-se uma série documental destinada às novas gerações, que percorre a história social de Angola entre 1930 e 2020 na perspectiva dos próprios angolanos.

A série estrutura-se em três tempos históricos — período colonial, transição para a independência e pós-independência — e privilegia a palavra oral como fonte primária, cruzada com documentação de arquivo cedida pelos depoentes, pelas suas famílias e por instituições parceiras.

“L'histoire de l'Afrique reste à écrire, non parce qu'elle n'a pas eu lieu, mais parce qu'elle a été racontée par d'autres.”

«A história de África está por escrever, não por não ter existido, mas por ter sido contada por outros.»

Elikia M'Bokolo — Afrique noire: histoire et civilisations, 1992

Vídeo de apresentação

Introdução à série documental

Peça audiovisual de abertura, publicada no canal oficial da plataforma História Social de Angola, que apresenta o propósito, o método e o arco temporal da série.

Abrir no YouTube →

62

depoimentos recolhidos

+100h

de audiovisual editado

+1000

páginas de transcrição

1930–2020

arco temporal coberto

Nota conceptual

Uma história social contada pelos próprios angolanos

O projecto assume a história oral como método e como direito. O depoimento não substitui o documento de arquivo: dialoga com ele. Cada testemunho é tratado como fonte primária, devidamente contextualizada, cotejada e devolvida ao depoente para validação, no respeito por um princípio de ética da memória.

A série documental pretende ser um instrumento pedagógico e cívico: dirige-se a estudantes, investigadores, professores, jornalistas e ao público em geral — em Angola e na diáspora — oferecendo às novas gerações uma cartografia audiovisual do país a partir das vidas concretas de quem o construiu.

Nota de abrangência: a expressão “contada pelos próprios angolanos” não exclui quem, sem ser de origem angolana, dedicou a Angola anos decisivos da sua vida. A história social que aqui se recompõe abarca igualmente os amigos de Angola — estrangeiros, funcionários internacionais, missionários, cooperantes e outras testemunhas — cujo testemunho é inseparável dos factos vividos no país. São particularmente relevantes os relatos de funcionários das Nações Unidas e de organizações humanitárias que estiveram presentes durante o período de emergência e o conflito entre irmãos, contribuindo para a compreensão de uma época em que Angola precisou do olhar e do apoio do mundo.

Estrutura da série

Três tempos, uma mesma linha de vida

01

1930 – 1960

Angola colonial

Trabalho, missões, escola e cidade

O primeiro bloco reconstitui, a partir de vozes nascidas entre 1925 e 1955, a experiência quotidiana do período colonial: infância e trabalho nas fazendas e nas cidades, redes missionárias católicas e protestantes, escolaridade desigual, mobilidade forçada, sociabilidades urbanas em Luanda, Huambo, Namibe e Uíge, e a formação das primeiras elites intelectuais angolanas.

Vozes convocadas · Depoimentos de líderes religiosos, professores, quadros técnicos e figuras da diáspora.

02

1961 – 1975

Transição e independência

Guerra, nacionalismo e ruptura

O segundo bloco atravessa a guerra de libertação, a mobilização política dos movimentos nacionalistas, a experiência dos exilados e dos que permaneceram, o 25 de Abril, o ano da independência e a diáspora que se organiza em Portugal, na Bélgica, no Brasil e nos Estados Unidos. Recorre a memórias familiares, cartas, fotografias e à palavra de protagonistas e testemunhas.

Vozes convocadas · Nacionalistas, missionários, quadros da administração, exilados e descendentes.

03

1976 – 2020

Pós-independência

Estado, reconciliação e novas gerações

O terceiro bloco documenta a construção do Estado angolano, a guerra civil e o processo de reconciliação nacional, o papel da sociedade civil, das igrejas e das autoridades tradicionais, o regresso dos que partiram e a emergência de uma geração pós-guerra que reinterpreta a identidade angolana no país e na diáspora.

Vozes convocadas · Quadros do Estado, artistas, académicos, empreendedores e jovens da diáspora.

Metodologia editorial

Do arquivo oral ao episódio documental

01

Curadoria e catalogação

Revisão integral dos 62 depoimentos, transcrição académica, indexação por temas, geografias e cronologias, e validação com depoentes e famílias.

02

Guionagem por episódios

Escrita de guiões temáticos que cruzam vozes em torno de um problema histórico — trabalho, escola, religião, cidade, guerra, exílio, regresso — em vez de biografias isoladas.

03

Montagem e pós-produção

Edição audiovisual em episódios de 30 a 45 minutos, com aparato documental de apoio: fotografias de arquivo, mapas, cartas, imprensa da época e material cedido por parceiros.

04

Publicação editorial

Distribuição em três camadas — excerto público, episódio integral por subscrição individual e licenciamento a instituições académicas — acompanhada de caderno pedagógico e transcrição integral.

Modelo de acesso

Consulta livre, autoria protegida

A série documental adopta o mesmo princípio da plataforma: acesso parcial livre e integralidade sujeita a subscrição ou licenciamento institucional, salvaguardando a autoria dos depoentes e a sustentabilidade do projecto.

Excerto público

Introdução do episódio e primeiros 15 minutos disponíveis sem registo, no sítio da plataforma e no canal YouTube.

Episódio integral

Acesso completo por subscrição individual, com transcrição descarregável em PDF e ficha catalográfica.

Licença académica

Universidades, escolas, bibliotecas e museus podem licenciar a série completa com caderno pedagógico e direitos de exibição pública.

Chamada aberta

Testemunhos, arquivos e parcerias

A plataforma continua a receber novos depoimentos, documentação familiar e propostas de parceria institucional. Se pertence a uma universidade, escola, museu, fundação ou organização da sociedade civil interessada em coproduzir, licenciar ou distribuir a série documental, escreva-nos.

Escrever à coordenação editorial